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FMI (1ª & 2ª Partes)

José Mário Branco

Ser Solidário
Released 1982
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José Mário Branco

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Vou, vou-vos mostrar Mais um pedaço da minha vida Um pedaço um pouco especial Trata-se de um texto que foi escrito Assim, de um só jorro Numa noite de Fevereiro de 79 E que talvez tenha um ou outro pormenor Que já não é muito actual Eu vou-vos dar o texto tal e qual como eu o escrevi nessa altura Sem ter modificado nada Por isso vos peço que não se deixem distrair por esses pormenores Que possam ser já não muito actuais E que isso não contribua para desviar a vossa atenção Do que me parece ser o essencial neste texto Chama-se FMI Quer dizer, Fundo Monetário Internacional Não sei porque é que se riem É uma organização democrática dos países todos Que se reúnem, como as pessoas Em torno de uma mesa para discutir os seus assuntos E no fim tomar as decisões que interessam a todos É o internacionalismo monetário Cachucho não é coisa que me traga a mim Mais novidade do que lagostim Nariz que reconhece o cheiro do pilim Distingue bem o Mortimor do Meirim A produtividade, ora aí está, quer dizer Há tanto nesta terra que ainda está por fazer Entrar por aí a dentro, analisar, e então Do meu 'attaché-case' sai a solução! FMI Não há graça que não faça o FMI FMI O bombástico de plástico para si FMI Não há força que retorça o FMI Discreto e ordenado mas nem por isso fraco Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco Enfio uma gravata em cada fato-macaco E meto o pessoal todo no mesmo saco A produtividade, ora aí está, quer dizer Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder Batendo o pé na casa, espanador na mão É só desinfectar em superprodução! FMI Não há truque que não lucre ao FMI FMI O heróico paranóico hara-kiri FMI Panegírico, pro-lírico daqui Palavras, palavras, palavras e não só Palavras para si e palavras para dó A contas com o nada que swingar o sol-e-dó Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas Sempre atentas E levas pela tromba se não te pões a pau Num encontrão imediato do 3º grau FMI Não há lenha que detenha o FMI FMI Não há ronha que envergonhe o FMI FMI Entretém-te filho, entretém-te Não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer Mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer Messe gigantesca, vem-te vindo, VIM na cozinha, VIM na casa-de-banho VIM no Politeama, VIM no Águia D'ouro, VIM em toda a parte, vem-te filho Vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão Olha os pombinhos pneumáticos que te arrulham por esses cartazes fora Olha a Música no Coração da Indira Gandi Olha o Moshe Dayan que te traz debaixo d'olho O respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo Saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo O teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos Como o Astro, não é filho? O cabrão do Astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar Para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim Estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto Pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus zodíacos: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? A-ni-ki-bé-bé, a-ni-ki-bó-bó Tu és Sepúlveda, tu és Adamastor, pois claro Tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, E salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala em ritmo de pop-chula, não é filho? A one, a two, a one two three FMI dida didadi dadi dadi da didi FMI Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! 'Camóne' Luís Vaz, amanda-lhe com os decassílabos que eles já vão saber o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares Zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro de Cunhal Zás, enfio-te a Natalia Correia no Sá Carneiro Zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros Zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer E acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano A estender o braço Meio Rolão Preto, meio Steve McQueen Ok boss, tudo ok Estamos numa porreira meu Um tripe fenomenal Proibido voltar atrás Viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho Pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes Agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr o marfil, homem, andas numa alta, pá, é assim mesmo Cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá Pois pá, é só paleio pá O pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! Olha deixaste cair as chaves do carro! Pois pá! Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves? É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril Esta confusão pá, a malta estava sossegadinha A bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo Mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá Isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á Venha ver o que isto é, é O barulho que vai aqui, i O neto a bater na avó, ó Deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando Que ao menos agora pode-se falar Ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz Enfiaste a cabeça na areia Não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem E é por isso que a tua solução é não ver é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada Precisas de paz de consciência Não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão Precisas de atirar as culpas para cima de alguém E atiras as culpas para os da frente Para os do 25 de Abril Para os do 28 de Setembro Para os do 11 de Março Para os do 25 de Novembro Para os do... que dia é hoje, ah? FMI Dida didadi dadi dadi da didi FMI Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório Foi isso que te ensinaram Não é verdade? Esta merda não anda Porque a malta, pá A malta não quer que esta merda ande Tenho dito A culpa é de todos A culpa não é de ninguém Não é isto verdade? Quer-se dizer Há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas Estas coisas até já nem querem dizer nada Ismos para aqui Ismos para acolá As palavras é só bolinhas de sabão Parole parole parole e o Zé é que se lixa Cá o pintas é sempre o mexilhão Eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol Pronto Viva o Porto, viva o Benfica! Lourosa! Lourosa! Marrazes! Marrazes! Fora o arbitro, gatuno! Qual gatuno, qual caralho! Razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs Que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores Entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais Entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho Entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar Entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes Entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante Enquanto tu adormeces a não pensar em nada Milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta Telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Teng Hsiao-ping está a tratar de ti com o Jimmy Carter O Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II Tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias Ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel Que se some nas areias em plena praia Ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Vão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer Votas à esquerda moderada nas sindicais Votas no centro moderado nas deputais E votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma Para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás E eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega Entretém-te meu anjinho, entretém-te Que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti Se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia Se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso Se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos Ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada Que até neste país de pelintras se acho normal Haver mãos desempregadas E se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai Afinfa-lhe o Bruce Lee Afinfa-lhe a macrobiótica O biorritmo, o hoscópio Dois ou três ovniologistas Um gigante da ilha de Páscoa E uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza Antes que os chatos fujam todos para o Egipto Que assim é que tu te fazes um homenzinho E até já pagas multa se não fores ao recenseamento Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta Dá-lhe no disco-sound Dá-lhe no pop-chula Pop-chula pop-chula Iehh iehh J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti Não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia Não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal Não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte Não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir Cabrões de vindouros, ah? Sempre a merda do futuro, a merda do futuro E eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos Isto é que é uma porra Anda aqui um gajo cheio de boas intenções A pregar aos peixinhos A arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês' O menino pertence a uma classe sem futuro histórico Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra Quero ser feliz agora Que se foda o futuro Que se foda o progresso Mais vale só do que mal acompanhado Vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa Filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego Não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho Não há paciência Não há paciência Deixem-me em paz caralho Saiam daqui Deixem-me sozinho, só um minuto Vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e polícias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho Filhos da puta Deixem só um bocadinho Deixem-me só para sempre Tratem da vossa vida que eu trato da minha Pronto, já chega Sossego porra Silêncio porra Deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só Deixem-me morrer descansado Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado Eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto Eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro E o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa Deixem-me só porra, rua, larguem-me Desopila o fígado, arreda, T'arrenego Satanás, filhos da puta Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer Eu quero que se foda o FMI Eu quero lá saber do FMI Eu quero que o FMI se foda Eu quero lá saber que o FMI me foda a mim Eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto Bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões O FMI não existe O FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma O FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio Rua, desandem daqui para fora A culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe Mãe, eu quero ficar sozinho Mãe, não quero pensar mais Mãe, eu quero morrer mãe Eu quero desnascer Ir-me embora Sem sequer ter que me ir embora Mãe, por favor Tudo menos a casa em vez de mim Outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar E de me encontrar fugindo De quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento E se inventássemos o mar de volta E se inventássemos partir, para regressar A partir e aí nessa viagem Ressuscitar da morte às arrecuas que me deste Partida para ganhar Partida de acordar Abrir os olhos Numa ânsia colectiva de tudo fecundar Terra, mar, mãe Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto Lembrar nota a nota o canto das sereias Lembrar o depois do adeus E o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal Lembrar cada lágrima Cada abraço Cada morte Cada traição Partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar Assim mesmo Como entrevi um dia A chorar de alegria De esperança precoce e intranquila O azul dos operários da Lisnave a desfilar Gritando ódio apenas ao vazio Exército de amor e capacetes Assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou Olá camaradas, somos trabalhadores Eles não conseguiram fazer-nos esquecer Aqui está a minha arma para vos servir Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores As festas e os suores Os bombos de Lavacolhos Assim mesmo senti um dia A chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila O bater inexorável dos corações produtores, os tambores De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar Mar antigo a que regresso Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe No fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados De mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos O meu canto e a palavra O meu sonho é a luz que vem do fim do mundo Dos vossos antepassados que ainda não nasceram A minha arte é estar aqui convosco E ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez Sou português, pequeno burguês de origem Filho de professores primários Aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto Muito mais vivo que morto Contai com isto de mim para cantar e para o resto Ser solidário assim, para além da vida Por dentro da distância percorrida Fazer de cada perda uma raiz E improvavelmente ser feliz De como aqui chegar não é misterio contar O que já sabe quem souber O estrume em que germina a ilusão Fecundará, por certo, esta canção Ser solidário sim, por sobre a morte Que depois dela só o tempo é forte E a morte nunca o tempo arredime Mas sim, o amor dos homens que se exprime De como aqui chegar não vale a pena Já que a moral da história é tão pequena Que nunca por vingança eu vos daria No ventre das canções, sabedoria

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